A primeira objetificação a gente não esquece
@ moniquelive | Sunday, May 26, 2019 | 3 minute read | Update at Sunday, May 26, 2019

Faz tempo que não escrevo, mas hoje tive uma experiência que me trouxe reflexões…

Baixei uns aplicativos de relacionamento para conhecer pessoas novas que me conheçam a partir dessa minha nova “fase”…

Comecei a conversar com um rapaz que, depois de me chamar de linda, depois de elogiar umas fotos minhas, de dizer que adorava falar comigo, de dizer que “éramos iguais”, que se impressionou por eu gostar de videogame e trabalhar com inteligência artificial, “descobriu que eu era homem” quando pediu meu instagram.

Obviamente expliquei para ele que no meu perfil estava escrito que eu era uma mulher transgênero. Ai, a pergunta que vem em seguida 50% das vezes, quis saber se eu era operada.

Expliquei que, com menos de 12h de papo, meus órgãos genitais estavam fora de discussão. “Ainda vamos chegar lá”, respondi.

No dia seguinte entrou em contato novamente, dizendo que tinha realmente gostado de conversar comigo. E o papo foi rolando.

E um dia o papo deu uma “escalada” rápida. Ou uma descida de nível…

Aqui cabe um parênteses, por eu já ter estado “do outro lado”…

Tem uma historinha que diz que Deus quando criou o homem só deu sangue suficiente para irrigar uma das cabeças por vez.

Metaforicamente falando, posso dizer, por experiência própria, que essa historia tem um quê de verdade.

Isso era uma das coisas que me incomodava, na verdade. Toda vez que eu ficava excitada sexualmente eu ficava com minhas faculdades cognitivas ficavam prejudicadas.

Eu não sei como funciona o processo biológico mas o que eu sentia, intuitivamente era que depois de um tempo de excitação, o corpo te leva aos finalmentes na base do instinto, diminuindo a capacidade de julgamento. Tipo uma embriaguez. ‍🤷🏻‍♀️️

De forma alguma estou querendo justificar (“passar pano n”) a atitude que vou relatar a seguir, mas simplesmente que consigo entender que uma parcela do que aconteceu não foi consciente.

Uma noite dessas ele começou a forcar uma idea de “brincar”. Imaginou sobre o que seria a brincadeira? Claro…

Nessa forçação, que eu estava zero interessada, ele me perguntou o que me excitaria… Respondi despretensiosamente “quem sabe, um principe encantado”. Ele respondeu de pronto “Não serei eu esse principe”.

E voce acha que parou? Pffff…

Ai ele já estava impaciente (eu estava em outros chats na mesma hora), ele ficava perguntando “está ocupada?” mensagem sim, mensagem não… ótimo fomentador de clima… 🙄

E o papo continuou mais explícito, com puxadas de cabelo virtuais, e perguntas insistentes sobre o que eu gostaria de fazer. Respondi que não tinha o menor interesse sexual nele, que ele ainda me via como homem (no meio da “brincadeira” ele deu outra demonstração disso). E ele me dizendo que estava super excitado.

Ai eu respondi pra ele que eu não era uma boneca para a masturbação dele… Ai acho que ou ele se resolveu por lá ou brochou de vez, porque começou a falar que ele tinha errado comigo, pra desculpá-lo…

Deixei no vácuo, até o dia seguinte quando ele me pediu desculpas e eu disse que acontecia, página virada… Não nos falamos mais.

Quem está aplicando a objetificação não tem consciência do que está fazendo se não chamarmos atenção. Ou pelo menos eles não têm mais como dizer que “não sabiam”.

Foi uma surpresa/novidade pra mim, mas imagino que não seja a ultima. Lição aprendida…

Só pra concluir, há uma estatística que diz que o Brasil é o país que mais mata LGBT ao mesmo tempo que é o país que mais consome pornografia com travestis, segundo os xvideos da vida.

Se quiser continuar esta conversa, comenta lá embaixo ou me manda um direct no insta @monique.live.

Bjbj,

= M =

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XP

Onde trabalhei

Foi uma dança de cadeira grande, as vezes voltando pra “mesma” empresa que mudava de nome frequentemente 😂

Antes de empreender

  • Em 1996 trabalhei no site do jornal O Globo, antes de globo.com existir…
  • Estagiei por 1 ano no Tecgraf, departamento da PUC-Rio
  • Trabalhei por 1(?) ano na Ciphersec, que ainda não se chamava assim - meu primeiro contato com a incubadora da PUC

Pós picada do mosquito do empreendedorismo

  • Em 1999 co-fundei a Waptotal, que em seguida mudou pra nTime, na incubadora da PUC
  • Em 2006 fui passar um tempo na Microsoft, em Redmond, WA
  • Em 2008 voltei pra nTime, que agora havia se juntado com a Compera, Yavox e Cyclelogic. Em seguida mudou o nome pra Movile

Pós Movile

  • Em 2011 saí pra co-fundar a aceleradora 21212
  • Em 2015 tirei um tempo sabático
  • Em 2017 co-fundei a CyberLabs

Me

Uma ser humana em busca de si mesma.

Olá, eu sou a Monique Oliveira, também conhecida como moniquelive ou simplesmente cyber e este aqui é o meu Blog Pessoal, aonde escrevo histórias pessoais (as vezes pessoais demais, fica o aviso 😉).

Em 2018, iniciei o meu processo de transição e, ao mesmo tempo, este blog aqui, para registrar essa jornada cheia de incertezas que se iniciava naquele momento.