Privilégios
@ moniquelive | Saturday, Aug 15, 2020 | 3 minute read | Update at Saturday, Aug 15, 2020

Tem aquele lance de lugar de fala, né? Mas tem também o lance da empatia

E existem vários níveis de empatia. Tem desde aquela superficial:

“- Que absurdo! Revoltante”

“- Nossa, isso não se faz… Que isso…”

*troca o canal*

E tem a empatia mais profunda. Aquela em que a gente fecha os olhos e se imagina na situação em primeira pessoa. Vendo, ouvindo, sentido o que vemos, ouvimos sentimos quando estamos em um shopping center, por exemplo.

Nesse dia fomos trocar um presente que compramos no dia dos pais. E estamos lá na loja, escolhendo o que vamos trocar. E de repente somos arrastados pra fora da loja por dois armários truculentos. E somos levados para a escadaria do shopping, longe de todos. E ali somos acusados, julgados, condenados, e começamos a receber uma “pena”, tudo na hora, sem direito a se pronunciar.

Simplesmente por sermos o que somos.

Se você não está tremendo, ou se seu sangue não está fervendo, recomendo ler de novo, a historia acima antes de prosseguir.

Agora, se estiver sentindo sudorese e/ou palpitações, parabéns! Você pode começar a se considerar um aliado.

Pois é amigues, vivemos em uma sociedade que repele alguns indivíduos por serem quem são. Não sei como é no dicionário de vocês, mas no meu isso se chama preconceito.

A reação de alguns de vocês pode ser “- Não, nada a ver, isso foi um caso isolado…”. Pois bem, vamos continuar no exercício de empatia. Agora uma sequencia mais fácil. Responda ai:

  • Você já teve receio de sair a noite, em um lugar que nem é considerado perigoso?
  • Você já teve que soltar a mão de namorada(o) / noiva(o) / esposa(o) no meio da rua, por sentir que “seria prudente”?
  • Você já teve que criar uma estratégia para entrar rapidamente em um banheiro público sem chamar muita atenção, fazer o que tem que fazer e sair sem dar tempo do seu xixi virar um ato politico?
  • Você já levou uma dura da policia, sem ter feito nada, só porque o guarda não foi com a sua cara?
  • Você já teve que planejar suas férias pensando no país pra onde viajaria pois em alguns países é considerado um crime simplesmente ser quem você é?
  • Na sua adolescência, você parou para pensar sobre sua identidade de gênero ou orientação sexual, considerando reprimi-la pro resto da vida?
  • Já ouviu de familiares que estaria “passando por uma fase”?

A gente poderia falar sobre “privilégios”, mas esse assunto é chato, mimimi, equivocado, né mesmo? Detalhe: não posso dizer que não pensava assim também porque antigamente “privilégios” eram um assunto inexistente pra mim.

Até que um dia percebi que perdi algo que eu nem sabia que tinha.

Saí do “topo da cadeia”: homem, cisgênero (oposto de transgênero), hétero (oposto de LGBTQIA+), branco (pros padrões brasileiros) e troquei algumas características dessas, “caindo algumas posições”: mulher & transgênero. É tangível a mudança de trato das pessoas comigo. Desde os porteiros do prédio, até os colegas de trabalho. E olha que ainda sou uma larvinha…

Mas eu tenho consciência que ainda sou bastante privilegiada. E procuro, agora que tenho consciência, utilizar desses meus privilégios para levar minhas reflexões para grupos que não teriam acesso a elas. Como este texto, por exemplo.

Mas tudo bem, mudei de idéia, não vamos falar sobre privilégios hoje não… Até! 🙋🏻‍♀️

= M =

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XP

Onde trabalhei

Foi uma dança de cadeira grande, as vezes voltando pra “mesma” empresa que mudava de nome frequentemente 😂

Antes de empreender

  • Em 1996 trabalhei no site do jornal O Globo, antes de globo.com existir…
  • Estagiei por 1 ano no Tecgraf, departamento da PUC-Rio
  • Trabalhei por 1(?) ano na Ciphersec, que ainda não se chamava assim - meu primeiro contato com a incubadora da PUC

Pós picada do mosquito do empreendedorismo

  • Em 1999 co-fundei a Waptotal, que em seguida mudou pra nTime, na incubadora da PUC
  • Em 2006 fui passar um tempo na Microsoft, em Redmond, WA
  • Em 2008 voltei pra nTime, que agora havia se juntado com a Compera, Yavox e Cyclelogic. Em seguida mudou o nome pra Movile

Pós Movile

  • Em 2011 saí pra co-fundar a aceleradora 21212
  • Em 2015 tirei um tempo sabático
  • Em 2017 co-fundei a CyberLabs

Me

Uma ser humana em busca de si mesma.

Olá, eu sou a Monique Oliveira, também conhecida como moniquelive ou simplesmente cyber e este aqui é o meu Blog Pessoal, aonde escrevo histórias pessoais (as vezes pessoais demais, fica o aviso 😉).

Em 2018, iniciei o meu processo de transição e, ao mesmo tempo, este blog aqui, para registrar essa jornada cheia de incertezas que se iniciava naquele momento.