A Voz

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Eu sempre tive o ouvido “sensível”. Desde neném, minha mãe conta, que eu não gostava de ficar em ambientes barulhentos. Lembro na infância do efeito hipnótico que um martelar, um serrote, ou uma bate-estaca exerciam sobre mim. Ficava prestando atenção no ritmo, viajando na maionese… 😂

Conforme fui ficando mais velha fui me interessando por música. Cheguei a fazer aulas de teclado em fases diferentes da minha vida. Mas nunca levei adiante, pois sentia a “magia” perdendo sua essência, ganhando ar de ciência e matemática em uma das poucas áreas subjetivas, orgânicas que me agradavam.

Mas voltando ao tema do texto… A voz.

Por ter esse “ouvido chato” que presta atenção em detalhes (não o tempo todo, mas só quando coloco minha atenção, ou quando ela é chamada rs), quando iniciei meu processo de transição, uma das características mais masculinas que me incomodavam era a voz.

Tanto que foi a primeira busca que fiz depois que comecei o processo de hormonização. “Agora que o corpo ia começar a mudar…” - pensei - “…preciso tratar esse problema o quanto antes.”. Pois não sabia o tempo que ia levar pra chegar em algum resultado.

Só pra dar uma idéia cronológica, comecei o tratamento hormonal em Outubro de 2017; comecei a terapia de voz em Março de 2018; viajei para Miami em Setembro de 2018 (quando saí pela primeira vez na rua en femme).

Cheguei no primeiro dia um tanto encabulada, mas joguei limpo desde sempre. A figura que se apresentava tinha muito pouco de feminina mas muita determinação, como sempre.

Dia 20 de Março faço um ano de tratamento (1 hora 1 vez por semana, mas com muito dever de casa!) e quis fazer esse post/agradecimento público a essa profissional competentíssima e um ser humano maravilhoso que é a Dra Déborah Feijó. Daquelas pessoas que agradecemos por terem feito parte da nossa jornada. Serei eternamente grata.

Preparei um vídeo comparando o antes e o atual (digo “atual”, pois ainda vai melhorar mais… rs)

bjs

= M =