A primeira objetificação a gente nunca esquece

on under transição
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Faz tempo que não escrevo, mas hoje tive uma experiência que me trouxe reflexões…

Baixei uns aplicativos de relacionamento para conhecer pessoas novas que me conheçam a partir dessa minha nova “fase”…

Comecei a conversar com um rapaz que, depois de me chamar de linda, depois de elogiar umas fotos minhas, de dizer que adorava falar comigo, de dizer que “éramos iguais”, que se impressionou por eu gostar de videogame e trabalhar com inteligência artificial, “descobriu que eu era homem” quando pediu meu instagram.

Obviamente expliquei para ele que no meu perfil estava escrito que eu era uma mulher transgênero. Ai, a pergunta que vem em seguida 50% das vezes, quis saber se eu era operada.

Expliquei que, com menos de 12h de papo, meus órgãos genitais estavam fora de discussão. “Ainda vamos chegar lá”, respondi.

No dia seguinte entrou em contato novamente, dizendo que tinha realmente gostado de conversar comigo. E o papo foi rolando.

E um dia o papo deu uma “escalada” rápida. Ou uma descida de nível…

Aqui cabe um parênteses, por eu já ter estado “do outro lado”…

Tem uma historinha que diz que Deus quando criou o homem só deu sangue suficiente para irrigar uma das cabeças por vez.

Metaforicamente falando, posso dizer, por experiência própria, que essa historia tem um quê de verdade.

Isso era uma das coisas que me incomodava, na verdade. Toda vez que eu ficava excitada sexualmente eu ficava com minhas faculdades cognitivas ficavam prejudicadas.

Eu não sei como funciona o processo biológico mas o que eu sentia, intuitivamente era que depois de um tempo de excitação, o corpo te leva aos finalmentes na base do instinto, diminuindo a capacidade de julgamento. Tipo uma embriaguez. ‍🤷🏻‍♀️️

De forma alguma estou querendo justificar (“passar pano n”) a atitude que vou relatar a seguir, mas simplesmente que consigo entender que uma parcela do que aconteceu não foi consciente.

Uma noite dessas ele começou a forcar uma idea de “brincar”. Imaginou sobre o que seria a brincadeira? Claro…

Nessa forçação, que eu estava zero interessada, ele me perguntou o que me excitaria… Respondi despretensiosamente “quem sabe, um principe encantado”. Ele respondeu de pronto “Não serei eu esse principe”.

E voce acha que parou? Pffff…

Ai ele já estava impaciente (eu estava em outros chats na mesma hora), ele ficava perguntando “está ocupada?” mensagem sim, mensagem não… ótimo fomentador de clima… 🙄

E o papo continuou mais explícito, com puxadas de cabelo virtuais, e perguntas insistentes sobre o que eu gostaria de fazer. Respondi que não tinha o menor interesse sexual nele, que ele ainda me via como homem (no meio da “brincadeira” ele deu outra demonstração disso). E ele me dizendo que estava super excitado.

Ai eu respondi pra ele que eu não era uma boneca para a masturbação dele… Ai acho que ou ele se resolveu por lá ou brochou de vez, porque começou a falar que ele tinha errado comigo, pra desculpá-lo…

Deixei no vácuo, até o dia seguinte quando ele me pediu desculpas e eu disse que acontecia, página virada… Não nos falamos mais.

Quem está aplicando a objetificação não tem consciência do que está fazendo se não chamarmos atenção. Ou pelo menos eles não têm mais como dizer que “não sabiam”.

Foi uma surpresa/novidade pra mim, mas imagino que não seja a ultima. Lição aprendida…

Só pra concluir, há uma estatística que diz que o Brasil é o país que mais mata LGBT ao mesmo tempo que é o país que mais consome pornografia com travestis, segundo os xvideos da vida.

Se quiser continuar esta conversa, comenta lá embaixo ou me manda um direct no insta (@monique.live).

Bjbj,

= M =